Arquivos | novembro, 2010

12:13

15 nov

- Querida, vamo logo!! Depois reclama que a gente chega atrasado!!

- Já vou, já vou… Falta só o brinco.

Uma moça morena desce as escadas da casa. Seus saltos anunciam, e o vestido entorpece. Mas não a ele. Afinal, é sua mulher há 3 anos.

- Desculpa ter berrado, mas você sabe como eu sou com horários.

- Você tem razão querido, não precisa se desculpar.

O casal trancou saiu da casa. Era uma casa simples, mas muito simpática por fora, numa rua sem movimento daquela enorme cidade. Enquanto uma brisa varria as folhas da rua anunciando o inverno, ele lembrou do verão. Do verão de 11 anos atrás, no mesmo dia. Estressado com algumas provas, mal dormido, de costume e gravata. Já faz tanto tempo, mas parece que é hoje. De novo.

- Você pegou as chaves?

- Peguei. Estão na bolsa. Vamos? – e ela deu o braço.

- Vamos.

Sua vida estava completa. Daqui a alguns meses eles iriam voltar para onde canta o sabiá, abrir o negócio deles e viver uma boa vida dali em diante. Mas hoje seus pais estavam na cidade. Já haviam ido a todos museus, alguns bares indicados pelo filho e outros restaurantes. Agora os quatro iriam almoçar.

- Oi! Tudo bem?

- Filho, filho! Tudo bem sim, tudo bem.

- Tudo, tudo. E vocês dois? Ela é…?

- É sim. Essa é a Angela. Meus pais…

- Ela é linda!

- Ah brigada…

- É, nossa. E como vocês se conheceram?

- Ah, a gente… Bom, ele estava trabalhando e eu só entrei para perguntar se minha amiga tinha reservado mesa. Ele olhou num papel e disse que não. Eu sentei ao balcão e ele me deu um drink e a gente ficou conversando… E foi isso.

- Ah, que bonito…

E a tarde entrava e saía lá fora.  A noite entrou, a conversa continuava sem previsão de parar. Naquele bar, naquela cidade…

 

18:35

8 nov

O Sol se preparava para ir. Naquela vieja ciudad, onde as ruas ainda eram de pedra, a tarde alaranjava. Na colina a frente, um Sol tardava a se retirar, parecia que estava bom do jeito que está. Como se fosse uma multidão de pessoas com pressa, nuvens lutavam por um lugar naquele céu. E começa a chover.

Mas, diga-se, que com aquele calor fez bem. Uma nesga de luz laranja não deixava tudo aquilo escurecer e as coisas ficaram só úmidas. Caprichadamente úmidas. Um aroma de grama e chuva emanava da rua, e algumas pessoas que passavam, andavam ali, não podiam se importar menos. Era normal se sentir assim.

Um senhor se sentou ao quiosque. Ele olhou no relógio. Apenas olhou em seguida ao barman e serviu o drink. Com a camisa de linho desabotoada por completo, os fios de cabelo branco respiraram quando removeu o chapéu e colocou-o ao lado do copo. Um lindo fim de dia – pensou. Nos passos a frente, o mar rebentava na areia. Suas lembranças também.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.