- Querida, vamo logo!! Depois reclama que a gente chega atrasado!!
- Já vou, já vou… Falta só o brinco.
Uma moça morena desce as escadas da casa. Seus saltos anunciam, e o vestido entorpece. Mas não a ele. Afinal, é sua mulher há 3 anos.
- Desculpa ter berrado, mas você sabe como eu sou com horários.
- Você tem razão querido, não precisa se desculpar.
O casal trancou saiu da casa. Era uma casa simples, mas muito simpática por fora, numa rua sem movimento daquela enorme cidade. Enquanto uma brisa varria as folhas da rua anunciando o inverno, ele lembrou do verão. Do verão de 11 anos atrás, no mesmo dia. Estressado com algumas provas, mal dormido, de costume e gravata. Já faz tanto tempo, mas parece que é hoje. De novo.
- Você pegou as chaves?
- Peguei. Estão na bolsa. Vamos? – e ela deu o braço.
- Vamos.
Sua vida estava completa. Daqui a alguns meses eles iriam voltar para onde canta o sabiá, abrir o negócio deles e viver uma boa vida dali em diante. Mas hoje seus pais estavam na cidade. Já haviam ido a todos museus, alguns bares indicados pelo filho e outros restaurantes. Agora os quatro iriam almoçar.
- Oi! Tudo bem?
- Filho, filho! Tudo bem sim, tudo bem.
- Tudo, tudo. E vocês dois? Ela é…?
- É sim. Essa é a Angela. Meus pais…
- Ela é linda!
- Ah brigada…
- É, nossa. E como vocês se conheceram?
- Ah, a gente… Bom, ele estava trabalhando e eu só entrei para perguntar se minha amiga tinha reservado mesa. Ele olhou num papel e disse que não. Eu sentei ao balcão e ele me deu um drink e a gente ficou conversando… E foi isso.
- Ah, que bonito…
E a tarde entrava e saía lá fora. A noite entrou, a conversa continuava sem previsão de parar. Naquele bar, naquela cidade…

