Ele olhou para o relógio impacientemente. Seu olhar fixo no ponteiro dos minutos, movendo um nada a cada segundo vermelho que passa. De gravata afrouxada, ele espera. O paletó pesa, e no fone de ouvido o pop-rock apenas aguça a impaciência. O trem chega.
No vão da rabeira, o vento brinca com sua calça. Logo que imóvel, ele entra. Sua mão direita no ferro acima, seu olhar morto no horizonte e sua pasta pesando na esquerda. Uma moça passa ao seu lado e senta na sua frente. Detalhes, só detalhes – ele pensa consigo. Já eram 4 da tarde e fazia um calor de reclamar, enxugar a testa e morder a caneta.
Na hora e mais meia, chega na estação destino. Ele aperta novamente a gravata, sai do trem assim que para e não olha para trás. Um passo de cada vez, até a escada. Degrau por degrau, o moço sente escorrer por suas costas uma gota de suor. Daquelas gotas incomodas, daquelas gotas que são estranhas o suficiente para se notar e pensar do porque-diabos se soa pelas costas. Daquelas gotas que escorrem até lá. Embaixo.
A barba coça. Nesse calor essa barba coça e muito. Por mais que ele tenha feito ontem à noite no pós-banho. Ah, claro, na hora foi uma ótima sensação; depois, logo em seguida, ao dormir, esperou que o dia seguinte fosse melhor, tão bom quanto a sensação da barba recém feita. Tão bom quanto a sensação de dormir sob lençóis de algodão puro. Bom, lá estava ele, mergulhando novamente no ontem e esquecendo do presente. Inclusive da rua que deveria ter entrado. Merda…





